4. Receitas de Splashes: Colisões De Gotas

A técnica de colisão de gotas depende de muita precisão, metodologia e consistência. Tentativas aleatórias, dificilmente produzirão resultados adequados. Para tanto, desenvolvemos uma traquitana que pode ser vista em toda a sua simplicidade nas imagens abaixo.

Consiste em pendurar um recipiente de soro (usado em hospitais, para controlar o fluxo da saída do soro) cheio com água ou qualquer outro líquido. A partir dela as gotas são direcionadas para o “eixo” central de onde caem na base, onde o impacto é fotografado. O uso desse recipiente de gotejamento com controle do fluxo do líquido é essencial para nosso procedimento. Controlar o espaçamento entre uma gota e outra  é uma das principais características desta técnica, principalmente para colidir gotas.

Logo abaixo, onde o gotejamento começa, há um copinho ajustável, que serve de ladrão  para interromper o fluxo contínuo do líquido usado. Seu controle, em um movimento vai e vem, permite ao fotógrafo controlar a caída da primeira gota no recipiente cheio d’água na base da traquitana. É importante estar preparado para fotografar o exato momento em que a “primeira” gota atinja a base antes que a água fique revolta pela gotejamento contínuo. O líquido excedente que é captado pelo ladrão é conduzido a uma garrafa pet e pode ser reciclado caso seja conveniente.

Para medir e saber o timing exato entre a saída da gota até o impacto na base, precisamos de um sensor, de preferência ativado por um raio lazer, instalado na traquitana, abaixo do ladrão (pequeno copinho ajustável) como mostra a foto a seguir.


O facho de laser é normalmente invisível. Aqui é visto com ajuda de um spray.

A função do sensor é medir a trajetória das gotas em milésimos de segundo. Por exemplo, o timing entre a passagem da gota até ela que ela atinja a base, de acordo com as medidas de nossa traquitana é de 265ms.

O procedimento começa posicionando um pequeno objeto qualquer como referência de foco exatamente onde a gota vai cair, como no exemplo abaixo.

Esta referência, serve tanto para o foco como para a leitura de exposição da luz do flash. O procedimento é manual,  já que automaticamente não é possível acompanhar a gota em movimento. A câmera deve ser ajustada também manualmente com o tempo de exposição com cerca de três segundos, que é o tempo necessário para realizar a ação. Ou seja, o fotógrafo terá tempo suficiente para pressionar o obturador com uma mão e mover o ladrão com a outra, liberando o gotejamento, que é detectado pelo laser, que dispara o flash e a imagem é captada antes de o obturador fechar. Toda essa ação não leva mais do que um segundo. Três segundos são mais do que suficiente.

Com o tempo de exposição tão longo é necessário que o ambiente seja semi escuro, para gravar somente a luz do flash.

Prosseguindo, mede-se, através de tentativas e erros,  o tempo necessário para a primeira gota submergir e emergir até chegar ao seu pico, conforme o exemplo a seguir.

O exemplo acima mostra o pico da gota após a submersão e imersão. Foram necessários 340 milésimos de segundo para que ela chegasse a uma altura de cerca de 4.5 centímetros.

Em nossa traquitana ela levou 265ms para atingir a superfície da base. A partir de então, a cada nova tentativa eleva-se o tempo do sensor em incrementos de 5ms para acompanhar a trajetória da gota submergindo e emergindo.  Seu pico é atingido com 340ms na altura de 4.5cm. Este é o momento ideal para iniciar as tentativas de colisão. A partir de então com o sensor fixo em 340ms iniciamos o ajuste manual do espaçamento entre uma gota e outra, através da válvula de fluxo. Esta é a etapa mais desafiadora. Temos que descobri a freqüência necessária para o timing correto. Além disso, a água na base deve permanecer totalmente imóvel, sem turbulência, de modo que a primeira gota possa afundar e subir perfeitamente alinhada. Para tanto, é preciso que no começo o gotejamento seja contínuo sobre o ladrão, o qual deve ser movimentado em um vai e vem súbito, deixando passar uma mínima pequena porção de gotas, suficiente para o flash disparar no momento da colisão. Abaixo, um  exemplo, de duas gotas quase colidindo.

Este é o momento exato em que duas gotas estão prestes a colidir. Note que elas já não são do mesmo tamanho. A primeira ganha volume durante sua trajetória de submersão e imersão.

Recapitulando, o fluxo deve correr em direção ao ladrão (pequeno copo), enquanto ajustamos a válvula do gotejamento. Começando com um gotejamento contínuo, ajustando a válvula, muito delicadamente, até que o fluxo contínuo começa a formar as gotas. É realmente uma manobra muito sutil. Então, movemos o ladrão, em um movimento de vai e vem súbito, para liberar apenas uma pequena seqüência de gotas. A partir de tentativas e erros, quando se alcança a freqüência certa entre as duas primeiras gotas, elas entrarão em colisão. Exige muita concentração, paciência e determinação, para se chegar ao objetivo conforme exemplo a seguir.

 

O momento da colisão acontece tão rápido que é praticamente invisível ao ser humano.

 

 

 

Medidas básicas da traquitana.

Leave a Reply

You must be logged in to post a comment.